20/12/2025

 ESTUDO: SEMENTEIRA DE TESTEMUNHOS - DO LIVRO VIVENDO COM JESUS




                                                                         

LEITURA INICIAL: VIDA FELIS 119:


Sê sábio, investindo no futuro.

O que ora te acontece, resulta do passado que não podes remediar.

Mas, aquilo que irá suceder, depende do que realizes a partir de hoje.

Enquanto recolhes efeitos de ações passadas, estás atuando para consequências futuras.

Conforme semeares, assim colherás.

A tua fatalidade é o bem. Como atingi-lo, será opção tua, mediante ação rápida ou retardada e contra-marchas.

Ninguém está fadado ao sofrimento.

Este é o resultado da escolha errada.

Investe no amanhã e serás feliz desde hoje.


SEMENTEIRA DE TESTEMUNHOS


- E outra (semente) caiu em boa terra e, nascida, produziu fruto, a cento por um... Lucas, 8: 8

* * *

As sementes de amor que Jesus colocara no coração fértil dos discípulos, fecundaram e se transformaram em árvores generosas, com frondes protetoras, e conseguindo produzir milhares de outras tantas, que se multiplicariam ao infinito na sucessão dos tempos.

Terminado o ministério terrestre, o Mestre retornara às imarcescíveis dimensões da Espiritualidade, deixando os companheiros equipados para os enfrentamentos, e todos eles desincumbiram-se do ministério com inigualável grandeza moral, dando testemunhos que permaneceriam como símbolos de fidelidade e lições permanentes de amor.

Todos padeceram nas carnes do corpo e nos tecidos da alma as mais rudes provas e mais acerbas dores físicas e emocionais, sem apresentarem qualquer sinal de fraqueza, de temor ou de negação.

Quanto mais terrível era configurada a punição ao amor de que davam mostras, vivenciando-o, e eles se faziam expoentes da coragem e da fé.

Nenhum foi poupado pela impiedade humana, e o seu sofrimento serviu de adubo fértil para as sementes que deixaram nos corações daqueles que os ouviram, que conviveram :om eles, que se mostraram receptivos à mensagem libertadora.

A liberdade é o anelo mais elevado do ser humano, mas nem sempre se configura na facilidade de locomoção, no direito de ir e de vir, podendo ser vivenciada no ádito do coração sob terríveis aflições e em injunções inumanas, penosas, como aqueles homens souberam viver seguindo o exemplo de Jesus.

O Evangelho expandia-se no mundo que permanecia sob a dominação tiranizante do Império Romano, que ditava as diretrizes cruéis para submeter os vencidos pelas suas legiões.

Pulsava nos sentimentos dos oprimidos o anseio de liberdade, e porque não a pudessem fruir pelos caminhos sociais e políticos, a de consciência fascinava-os, e quando ouviam as narrativas do Evangelho e do Reino que Jesus viera implantar na Terra, todos se lhe entregavam com ardor.

* * *

Felipe, um dos seus primeiros discípulos, impregnado pela presença do Mestre a quem muito amava, deixou-se influenciar pelas vozes dos céus, e saiu a divulgar a esperança e a alegria de viver, o amor e o perdão.

Ele vivia enriquecido desses valores que o sustentaram desde o momento em que o Mestre ascendera ao Infinito.

Em contrapartida, onde quer que fosse, defrontava a mão férrea do Império Romano, afligindo todos aqueles que ambicionavam a felicidade fora dos padrões hediondos do crime e do ódio.

A sua palavra canora sensibilizava, ainda mais porque ele fora testemunha de Jesus, com quem convivera em estreita comunhão de ternura.

Obrigado a sair de cada cidade onde se apresentava na condição de embaixador do Rei especial, deteve-se em Hierápolis, na Frígia, onde o seu verbo sedutor iluminou vidas incontáveis, arrancando-as da densa escuridão.

Os frígios podiam ser considerados bárbaros no conceito romano, mas eram pessoas sofridas e sedentas de paz.

A palavra ardente, porque era portadora da Verdade, incomodava os pigmeus governamentais que passaram a considerá-lo como sendo um criminoso comum e audacioso, que desacatava as autoridades.

Aprisionado, após julgamento absurdo, conforme acontecera com Jesus, foi condenado à morte na cruz, de acordo com a justiça aplicada àqueles que infringiam as leis.

Erguido no madeiro de infâmia que o Senhor dignificou, experimentou as terríveis dores do desconjuntar dos ossos, do elastecimento dos nervos, da asfixia insuportável, permanecendo confiante e digno.

Ele havia aprendido com Jesus o significado profundo do amor, especialmente em relação ao próximo, aos inimigos, ao ideal da Verdade, à Vida...

Nada lhe diminuiu o estoicismo nem a abnegação.

* * *

Aqueles eram os dias dos testemunhos, quando o sangue dos mártires fecundou a terra para que medrassem em abundância as sementes de luz que Ele oferecera aos discípulos para esparzirem no mundo.

Todos, portanto, cada um a seu turno, foram convocados a provar a autenticidade da mensagem, conforme sucedeu a André, o irmão de Simão Pedro, que, já idoso, nunca desanimou e prosseguiu no ministério, continuando a pregar para os sítios, godos, trácios, todos considerados bárbaros pelos romanos, sendo, na cidade de Sebastópolis, onde viviam etíopes, mandado crucificar pelo sádico Egéias, que governava os edessenos, posteriormente sendo sepultado com a ternura dos seus discípulos em Patras, a célebre cidade da Acaia...

João, o evangelista, foi o único que não foi assassinado, havendo morrido idoso...

A luz derramava-se a flux em toda parte, porém, em todo lugar Jesus era odiado porque libertava as vidas das algemas da ignorância e do poder dos maus.

Aqueles que o amavam, no entanto, não desanimavam, prosseguindo integérrimos e jubilosos no ministério, enquanto aguardavam o testemunho com que mais se compraziam, demonstrando a excelência da mensagem.

Invejoso, Egéias ficou melindrado com o respeito de que gozava André, das suas narrativas gloriosas ao lado de Jesus, do esplendor e grandeza do Reino dos Céus que ele não estava interessado em conquistar, já que era prisioneiro do reino terrestre, assim como de todos aqueles que se diziam cristãos. Conseguiu através dos mecanismos do servilismo e do ódio permissão de Roma para crucificar todos aqueles que se vinculassem a Jesus, que se negassem a adorar os deuses mentirosos.

No seu julgamento, sem qualquer receio André declarou-lhe que havia um outro Juiz cuja maneira de decidir era totalmente diversa da dele, porque era imparcial e imperecível, provocando-lhe a ira, resíduo nefando do primarismo que permanece nas criaturas humanas infelizes, desse modo, mandando crucificá-lo.

Também os egípcios, os indianos e outros povos politeístas que praticavam sacrifícios de animais e humanos, quando lhes convinha, odiavam o Mestre de Nazaré, que os amava e inspirara alguns dos seus discípulos para que fossem levá-lo por toda parte sem medo daqueles que somente matam o corpo e nada podem fazer ao espírito.

Ainda hoje, de alguma forma, a fidelidade a Jesus é vista como comportamento patológico, alienação, covardia moral.

Os Seus servidores não encontram espaço no mundo em que triunfam os equivocados e recebem láureas os criminosos, aqueles que matam em nome da pátria, da política, da fé religiosa, dos preconceitos em que se comprazem...

Jesus, porém, vela pelos seus continuadores, e prossegue convocando os Seus trabalhadores para que permaneçam na seara imensa onde os poucos fiéis devem viver em vigília de amor e de perdão, de misericórdia e de compaixão, experienciando a caridade.

Cristão sem testemunho é solo árido dominado pela seca e pela morte...

O testemunho de qualquer natureza, mesmo aqueles interiores, silenciosos, são a condecoração de quem ama Jesus e resolveu por servi-lo.

* * *

Livro VIVENDO COM JESUS, cap. 30 - Por Amélia Rodrigues e Divaldo Franco

* * *

19/12/2025

 Estudo do livro Vivendo com Jesus

Capítulo 29

Glorificação da Prece


Leitura inicial:

Mergulha a mente, quanto possível, no estudo. 0 estudo liberta da ignorância e favorece a criatura com o discercimento. O estudo e o trabalho são as asas que facilitam a evolução do ser. O conhecimento é mensagem de vida. Não apenas nos educandários podes estudar. A própria vida é um livro aberto, que ensina a quem deseja aprender. 

Fonte: Livro Vida Feliz

Tema do estudo:     

GLORIFICAÇÃO PELA PRECE


Lucas, 11: 9-13
* * *
Os discípulos haviam acabado de receber a diretriz de segurança para enunciar e viver a emoção da prece eficaz.
Eram dispensáveis palavras e fórmulas cabalísticas, tornando-se necessária somente a comunhão mental com o Pai Generoso.
As tradições haviam estabelecido processos complicados para pedir, e raramente apresentavam diretrizes para agradecer.
Solicitado pelos companheiros para que apresentasse uma proposta singela como a pureza dos lírios do campo, Ele lhes ofereceu a nobre oração que ficou denominada como dominical.
Ela possui todos os requisitos próprios para o colóquio com Deus, abrindo as portas dos sentimentos e desnudando--os interiormente, a fim de que cada orante se apresente como é, sem atavios nem dissimulações, destituído de aparências e aconchegando-se Lhe com a pureza interna, sinceramente convencido do Seu amor.
Ele havia explicado como procedem os seres humanos quando buscados e como age o Supremo Pai em relação aos filhos necessitados.
Ainda assim, ficaram algumas interrogações nos discípulos, e Ele as pôde perceber.
Embora fossem simples na aparência, eles eram Espíritos vividos, ricos de outras experiências que viriam a lume no momento próprio, mas, naquele instante, algo aturdidos, deixaram-se invadir por inquietações que lhes caracterizavam o dia a dia.
Não conheciam o mundo nem as suas tramoias, pois que sempre viveram naquela região, à exceção de Judas, que viera de Kerioth - a oito quilômetros de Jerusalém -, e antes houvera sido oleiro; e, desse modo, mantinham a simplicidade das gentes do interior, das regiões pobres e laboriosas esquecidas pelos poderosos.
Encontravam-se na condição de discípulos, e não tinham dimensão das tarefas que os aguardavam, nem sequer do ignificado profundo em torno do convite que lhes havia sido cito para que O seguissem.
Como ovelhas mansas que conhecem a voz do seu pastor, abandonaram os poucos recursos, afastaram-se das lides cotidianas e seguiram-no, ora fascinados por Ele, noutros momentos, taciturnos e receosos, sem compreenderem a magnitude do ministério que lhes estava sendo proposto.
Tudo lhes parecia muito difícil de entender, embora o deslumbramento ante todos os sucessos que presenciavam.
Jamais haviam pensado na possibilidade daquelas ocorrências. Ademais, o Mestre fascinava-os, e não podiam resistir ao Seu arrebatamento.
Tinham participado de acontecimentos que ninguém jamais vivenciara, e isso os mantinha tocados de ternura pelo Senhor.
Necessitavam, porém, de aproximar-se também do Pai, tanto referido por Ele, e o recurso mais seguro era a oração.
Dando continuidade às explicações necessárias para o êxito da prece, Jesus, enternecido, concluiu:
E eu vos digo a vós: pedi e dar-se-vos-á; buscai, e achateis; batei, e abrir-se-vos-á;
Porque qualquer que pede, recebe; e quem busca acha; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.
Era como uma sublime inspiração musical.
Houve um breve silêncio, para que penetrassem no seu conteúdo profundo e sábio, após o qual Ele prosseguiu, com a Sua lógica imbatível:
E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?"
Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem?
Havia uma sublime e mágica promessa de amor nessa proposição especial.
Se entre as criaturas humanas, ainda vencidas pelo egoísmo, a bondade paternal predomina, muitíssimo grandiosa é a do Genitor Divino, sempre vigilante em relação aos filhos amados.
A oração é o recurso mais valioso para aproximar a criatura do seu Criador. É também o tônico para erguer da debilidade a ponte para a comunhão com a vida em abundância, o vigor para todos os momentos e o meio rápido para a renovarão das forças.
A epopéia da oração, ainda pouco vivenciada pelos seres humanos, encontra-se nesse poema de encantamento apresentado por Jesus, glorificando o Pai e engrandecendo os filhos.
Deve-se entender, no entanto, o sentido especial dos ensinamentos nele contidos.
Discernir o que pedir, porquanto nem tudo que se pede é o ideal para a existência feliz, em razão da falta de sabedoria do que se deve solicitar.
Confunde-se necessidade real com interesse momentâneo, com paixão egoica, ao mesmo tempo com ambição desmedida e fuga dos efeitos que seguem às realizações infelizes.
A arte de pedir é também a sabedoria de eleger.
Nem sempre, por isso mesmo, o Pai concede ao orante aquilo que ele deseja, porque sabe não o ser o de que realmente necessita.
A dor e a escassez são disciplinas abençoadas para o aformoseamento do Espírito, para a conquista da saúde e da abundância, em vez de punição.
A solidão e o sofrimento são oportunidades redentoras, que devem ser vivenciados com alegria, a fim de aprender-se a viajar para dentro, para o ignorado país de si mesmo, enriquecendo-se de autoconhecimento.
Por outro lado, em face das angústias normais no processo da evolução, busca-se sair das situações penosas sem nenhuma preparação para aquelas que se constituirão futuros desafios e aguardam sabedoria para serem vivenciadas.
Nem todos, portanto, buscam o melhor, porém, o mais agradável, prazeroso, mesmo que tenha um amargor final.
De igual maneira, bate-se às portas do Bem por nonadas, buscando-se coisas e valores sem significado, pela ânsia de possuir, de desfrutar, de ter...
Jesus é a lição viva da renúncia às coisas e aos impositivos do mundo.
Os Seus discípulos ainda não O entenderam, e, por isso, não sabem orar, não querem submeter-se às injunções do processo evolutivo, esperando deferências e milagres, que os não existem.
Ao Seu lado, a brisa da Natureza era mais cariciosa, e a vida muito mais prazerosa...
Ele, porém, teria que retornar ao Sólio do Altíssimo, e para que ninguém padecesse mais de solidão ou de abandono, Ele os ensinou a orar, ofereceu-lhes a glorificação pela prece, mediante cujos recursos poderiam sempre estar usufruindo os benefícios da Sua presença.
(...) E foi assim que realmente aconteceu, quando checaram os dias do testemunho...
* * *
Livro VIVENDO COM JESUS, 29 - Amélia Rodrigues e Divaldo Franco
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12/12/2025

 ESTUDO DO LIVRO VIVENDO COM JESUS            



CAP. 26 – CAMINHOS ESTREITOS E ÁSPEROS

As paisagens ermas a perder de vista, tomando vulto no deserto da Judeia, bem representavam a aridez e dureza da alma israelita, ou vice-versa.

Foram muitos os anos em que as multidões ficaram abandonadas, esquecidas do arbitrário poder público ignóbil, que fomentava a miséria moral, sempre responsável pela de natureza econômica e social.

Naqueles dias, as perseguições promovidas por Pilatos e os seus subordinados culminaram com verdadeiros sacrifícios humanos, em que o sangue dos galileus misturava-se com os dos animais que eles ofereciam no Templo de Jerusalém.

Quando Jesus iniciou o Seu ministério, produziu um impacto jamais ocorrido em qualquer época, convidando todos à alteração de conduta para a misericórdia, a bondade e o amor, enquanto desfraldava a bandeira da esperança, que fora consumida pela crueldade.

Abandonado, sistematicamente, o povo era instrumento das manobras políticas e da astúcia dos inescrupulosos sacerdotes e de outros esbirros do poder temporal, relegado ao desprezo e à indiferença.

O Seu verbo quente e gentil traçava normativas de vida e de renovação, proporcionando dignidade e recuperação dos valores morais perdidos.

Não eram as aquisições externas que importavam, mas as incomparáveis aquisições do Espírito, que o acompanhariam indefinidamente, o que proporcionava um sentido existencial de alta significação.

Como, porém reverter o comportamento de submissão desse povo, considerando-se estar secularmente esmagado pelo poder temporal? Como despertar as consciências que foram bloqueadas nas suas mais elevadas reflexões sob o espezinhar dos dominadores? Como libertar da situação deplorável as vidas que se submetiam às injunções perversas e haviam perdido a capacidade de escolha, de discernimento, de decisão?

Submetido ao mais baixo nível social, não podia, esse povo amargurado, conceber que existem valores preciosos que transcendem às aparências soberbas.

Jesus compreendia a situação desastrosa da cultura de subserviência, de exploração, de iniquidade.

Por isso, tomado de profunda compaixão, assumiu as suas dores, e transformou-as em cânticos de incomparável beleza.

Usando o valioso recurso das parábolas, ensinava-o a ver na escuridão, a escutar na balbúrdia, a viver no opróbrio, porém, dele saindo de imediato.

O Seu fascínio tornou-se inevitável, e a Sua energia mudou para sempre a lamentável situação da ralé, acenando-Ihe com as possibilidades de elevação moral e espiritual.

A questão tornara-se grave, porque a esse povo sofrido nenhuma bênção ou concessão de misericórdia era reservada, mesmo depois da morte do corpo...

A religião fora transformada em recurso de exploração da ignorância, de usurpação dos últimos recursos daqueles que ainda sobreviviam e eram atirados à exclusão.

Preces pagas, oferendas a Deus, mediante o sacrifício de aves e de animais, o formalismo exterior hipócrita, as superstições e os privilégios destinados aos ricos e abonados, aos triunfadores de um momento, não permitiam que surgisse lugar para os humildes lavradores, pescadores, trabalhadores braçais, embora indispensáveis, sobre os quais eram descarregados os mais terríveis flagícios...

Jesus conseguiu demarcar de maneira vigorosa qual era o sacrifício mais agradável a Deus e quais os deveres para com Mamon e para com o Pai Celestial.

* * *

Foi então, que num dia de júbilos da Boa Nova, quando seguia com os Seus a Jerusalém, alguém acercando-se dele, perguntou-Lhe:

- (...) Senhor, são poucos os que se salvam? (24)

Tomando da palavra e iluminando-a com a Verdade, respondeu-lhe:

Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.

E, solícito, explicou que um pai levantara-se e fechara a porta da casa, enquanto os que estavam do lado de fora, surpresos, solicitaram:

- (...) Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disse: não sei de onde vós sois;

Logo lhe disseram:

Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas.

Ele, porém, retrucou:

Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade.

(...) E referiu-se às dores acerbas que aguardam os invigilantes, os irresponsáveis, aqueles que, embora havendo convivido com Ele, optaram pelos torpes comportamentos em que se compraziam.

* * *

O caminho áspero na Terra é a senda segura para alcançar-se o Reino.

Não raro, as preocupações materiais com o êxito terreno anulam as realizações transcendentes, substituindo os ideais de enobrecimento.

O véu da carne obscurece a lucidez mental, e o aprimoramento na organização fisiológica dá a sensação de perenidade, de que tudo sempre transcorrerá bem, sem obstáculos, sem conflitos.

A realidade, porém, é bem diversa, enquanto no veículo da transitoriedade humana, pois que, a cada momento, sofre alterações que se transformam em fenômenos graves quando se é constrangido a enfrentar as doenças, os transtornos emocionais, a desencarnação.

Sem qualquer dúvida, o ser humano tem o direito de usufruir os recursos formosos do corpo físico, especialmente aqueles que facultam viver em nível de alegria e de paz, dele utilizando-se para os investimentos imortalistas.

A passagem do Mestre pela Terra, transformadora e eficiente, fincou raízes na psicosfera do Planeta e nas fibras mais íntimas daqueles que O ouviram, a fim de que pudessem repetir os Seus ensinamentos no curso da História, por todo o tempo porvindouro...

Aqueles dias, de alguma forma assemelham-se a estes dias da sociedade iluminada pelo conhecimento e atormentada nos sentimentos, cambaleante e exausta do prazer ilusório, anelando pela paz e pela real significação existencial.

Realmente, é estreita a porta da salvação, mas encontra-se acessível a todos quantos a desejem ultrapassar...

O Mestre jamais desdenhou desafios e dificuldades, demonstrando que toda ascensão exige sacrifício e que a libertação das heranças infelizes é trabalho contínuo e de longo curso.

(...) Jesus seguia a Jerusalém e narrou inúmeras parábolas, de tal forma que as Suas lições permaneceram envoltas no tecido da palavra, porém, com todo o vigor da Sua personalidade invulgar, convidando à plenitude.

Referências

24- Lucas, 13:22 a 27 (nota da Autora espiritual).


06/12/2025

 Estudo do livro Vivendo com Jesus

Capítulo 9 - Mãos Mirradas

Leitura inicial:

IV

A paciência é a virtude que te auxiliará na conquista dos bens do corpo, da alma e da sociedade. Ela ensina a técnica de como se deve aguardar, quando não se pode ter imediatamente o que se de seja. Jamais te irrites. A paciência te auxiliará a tudo vencer. 

Fonte: Livro Vida Feliz

Tema do estudo:

   

CAPÍTULO 9 - MÃOS MIRRADAS


Marcos, 3:1-6

Enquanto a balada do Evangelho derramava alegrias nas mentes ingênuas e nos corações sofridos das massas, as multidões se acotovelavam e se empurravam para vê-lo, toca-lo, estarem perto dele.

Todos aqueles que tinham dificuldades e problemas, viam em Jesus o Seu libertador, e nele depositavam sua confiança, sua ansiedade.

Ele passeava o olhar compassivo e em todos infundia ânimo e esperança, confortando-os com ou sem palavras, mediante a irradiação do Seu psiquismo e da Sua ternura incomparáveis.

Simultaneamente, porém, a noite que predominava nos corações dos opressores e governantes impiedosos, dos dominadores de um dia, dos religiosos presunçosos e ricos de inveja, dos cobiçosos, de todos aqueles que somente desfrutavam de primazias e honras, temendo perdê-las, preparava o caldo de cultura do ódio para infamá-lo, para o pegarem em alguma contradição, cujas armadilhas estabeleciam com cinismo e sofisma. bem urdidos.

Mas Jesus os conhecia e se fazia inalcançável às suas tricas farisaicas hediondas e venais.

Aumentava o número daqueles que se beneficiavam com o Seu socorro, e crescia a onda que se propunha afogá-lo nas suas águas torvas e iníquas.

A sinagoga era lugar de orações e recitativos da Lei, de unção, de companheirismo... Mas também de encontros para a sordidez e para vingança, para a sedição e para a perversidade.

Ali se refugiavam o orgulho e a presunção, que a governavam, ditando regras de bom proceder para o povo necessitado. Entre eles, os que se permitiam todos os privilégios, tornavam-se conhecidos pelas suas mesquinharias e fraquezas, pelos seus comportamentos vis e perturbadores, que sabiam disfarçar diante daqueles que os ouviam e respeitavam, embora eles não se respeitassem a si mesmos, pois que se isso ocorresse, impor-se-iam outra conduta moral.

Assim sendo, e sempre que Lhe era possível o fazia, Jesus entrou de novo numa sinagoga. Havia ali um homem que tinha a mão paralisada...

A multidão que ora O seguia já não era somente de galileus e de sírios, mas também de judeus de Jerusalém, de Tiro, de muitas partes, atraída pelo Seu verbo e pela Sua força de libertação.

Lá fora, na paisagem irisada de luz, as anêmonas balouçavam nas hastes frágeis, e violetas miúdas derramavam perfume nos rios do vento que O conduzia por toda parte.

* * *

A astúcia dos adversários esperava que Ele se propusesse a curar no sábado, a fim de terem motivo para prendê-lo por desacato à Lei que estabelecia o repouso nesse dia.

O Mestre conhecia-lhes a intimidade dos sentimentos ultores e a vileza moral em que se debatiam. Por isso mesmo, não os temia, antes se compadecia da sua miséria espiritual.

Jesus disse ao homem que tinha a mão mirrada:

Levanta-te e vem para o meio.

Convidar para o centro é dignificar o ser humano, que vive atirado na margem, ignorado, desrespeitado e esquecido. Essa é uma forma de restituir a identidade da criatura que merece respeito e carinho.

Ante o espanto natural e a possibilidade de Ele ferir os costumes legais, ouviram-no interrogar:

- (...) E licito no sábado fazer bem, ou fazer mal? Salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se.

A pusilanimidade deles não corria risco de perdê-los, tomando uma definição. Esses cruéis perseguidores são de sentimentos elevados mortos, quais sonâmbulos com ideias fixas no ódio e na incúria.

Ficar calado é assentir sem comprometer-se, tendo chance de assumir outra posição, aquela que seja mais conveniente.

Passeando à volta de si um olhar sem cólera sobre eles, en-tristecido pelo endurecimento de seus corações, disse ao homem:

- (...) Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.

Nesse episódio, a paranormalidade do Mestre é novamente evidente. Ele tem o poder de restaurar os tecidos, influenciando o campo modelador da forma física, trabalhando nas células com a sua mente extraordinária.

A mão mirrada é também símbolo que encontra respaldo nas pessoas que nunca abrem o coração para ajudar, dando-lhe movimento de fraternidade. Ela fica mirrada por falta de ação dignificante e operosa, perdendo a finalidade para a qual foi elaborada pelo Pensamento Divino.

O encontro real com Jesus permite que retome a sua forma, tornando-se igual à outra, àquela que não foi atingida pela circunstância punitiva.

Depois de se retirarem - deixando-os boquiabertos e invejosos - os fariseus deliberaram com os herodianos contra Jesus acerca dos meios de matá-lo.

* * *

Os pigmeus morais, impossibilitados de crescer espiritualmente para alcançar os missionários do Bem e do Amor, arquitetam planos para destruí-los, ignorando que não se ani-quilam valores humanos com artimanhas que jamais alcançam a realidade dos seres.

Esses perseguidores são almas mirradas, sem ideais nem nobreza, perdidos no tempo e que naufragaram no egoísmo, debatendo-se nas suas malhas sem conseguir libertação. Pertencem a todos os tempos e caminham ao lado dos construtores da dignidade humana a fim de prová-los, de os submeter ao seu cadinho purificador. Transformam-se em testes de resistência para homens e mulheres que anelam pelo mundo melhor e se doam a essa causa.

São duros de coração, que não se enternece, nem se comove. O órgão vibra e impulsiona o sangue, mas nada tem a ver com a emotividade, com os sentimentos de beleza e de fraternidade. Terminam por tornarem-se carcereiros de si mesmos, enjaulando-se nas celas da indiferença que os entorpece e mata.

Jesus os defrontará com mais assiduidade, porém, sem atribuir-lhes qualquer significado ou considerar-lhes a distinção que se permitem, aumentando neles o ódio e a perseguição.

Eles passam, e a vida os esquece, mas não se olvidam de como agiram, de como são e do quanto necessitam para a reedificação.

Há muitas mãos mirradas na sociedade dos dias atuais. Perderam a função superior e estiolaram as fibras que as constituem no jogo apetitoso dos interesses inferiores. Encontram-se no centro dos grupos, experimentam destaque, mas não são atuantes no Bem nem na compaixão, para receber aqueles que eles mesmos expulsaram do seu convívio e ficaram na marginalidade.

Agora constituem o grupo dos antigos fariseus e herodianos que sempre as usavam para perseguir e matar. Trouxeram-nas internamente mirradas, embora o exterior seja normal e atraente. Estão imobilizadas no cimento em que se encarceraram, aguardando Jesus, para chamá-los ao meio e curá-los.

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Livro VIVENDO COM JESUS -  Por Amélia Rodrigues e Divaldo Franco
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05/12/2025

 Estudo do livro Vivendo com Jesus

Capítulo 18

A psicoterapia de Jesus


Leitura inicial:

 Considera o trabalho o melhor meio para progredir. Quem não trabalha, entrega-se à paralisia moral e espiritual. O homem que não se dedica à ação libertadora do trabalho faz se peso negativo na economia da sociedade. 0 trabalho é vida.

Fonte: Livro Vida Feliz

Tema do estudo:     

A PSICOTERAPIA DE JESUS


Sabia Jesus que todos os males que afligem o espírito humano procedem do seu interior, das suas matrizes geradoras da personalidade, nas quais estão cristalizados os hábitos doentios, esses filhos diletos do egoísmo e da violência.
Mantendo a herança da luta pela sobrevivência, essa personalidade retrógrada somente pensa em acumular valores para a continuidade dos seus interesses, fruir dos prazeres entorpecentes que impedem a claridade da consciência, fazer-se ver e receber aplauso, num comportamento gravemente infantil, do qual já se deveria haver libertado, na razão direta em que houve o desenvolvimento para a faixa adulta.
Mas não é o que acontece, fixando-se cada vez mais nos significados agradáveis do seu viver, não se importando com aqueles que lhe constituem a constelação familiar, o grupo social, os cooperadores do trabalho, o grupo de natureza espiritual.
Enquanto são jovens, as suas carnes e as disposições de ânimo encontram ressonância no corpo, a ilusão permanece dominando o comportamento.
Subitamente, porém, dá-se o fenômeno do despertar, mediante o qual o indivíduo se identifica solitário, insatisfeito com tudo quanto acumulou, desmotivado para a existência, porque se defronta com a consciência que constata a quase inutilidade de toda a vida experienciada sem a produção dos valores transcendentes, que são aqueles que, realmente, podem ser transferidos para além do túmulo.
Isto porque, nesse período, os desgastes orgânicos e emocionais dão sinais do cansaço do corpo e da sua constituição, sem o conjunto de ideais e de sentimentos enobrecidos que estimulam a alegria e proporcionam reações de prazer transcendental.
Quando assim acontece, a falta de estrutura psicológica atira o indivíduo no abismo da depressão, porque se encontra árido no que diz respeito ao amor, e sem o amor a vida não tem qualquer razão de existir, e mesmo quando permanece, as bênçãos da harmonia cederam lugar à ganância e ao isolacionismo doentio.
O Mestre sabia que o único sentido da existência humana é o de adquirir a flama do Amor e desenvolvê-la, deixando-se abrasar pela sua labareda e ampliar os horizontes da solidariedade, expandindo os sentimentos em favor do próximo e de todas as manifestações da Natureza, que são obras do Pai Celeste, colocadas à disposição de todos para o seu enriquecimento emocional.
Quando se ama, todo o ser vibra de emoção e de esperança, produzindo substâncias que se convertem em vibrações psíquicas de bem-estar e de felicidade.
AMOR é, portanto, de origem divina, mas também humana, pelos benefícios que opera nos relacionamentos, nas realizações de toda natureza, nas atitudes perante as ocorrências venturosas ou perturbadoras.
Por essa razão, Ele se converteu em um poema de Amor portador de paz.
A paz de flui do amor, assim como esse conduza paz.
Vivia-se, no Seu tempo, a prerrogativa de devolver-se ao outro conforme dele se recebia, proliferando as manifestações da prática do Mal em razão do Mal, que predominava em toda parte.
Jesus estabeleceu que é mediante a retribuição do Bem que se diluem as forças mentais que sustentam o Mal na Terra e que todo amor que se dirige a outrem, mesmo que não aceito de início, transforma-se em recurso poderoso de contraposição ao ódio.
Por isso, ninguém é invulnerável ao amor, pois que o amor procede de Deus, que é a sua Fonte de nascimento.
A pessoa saudável é aquela que sustenta os sentimentos nobres em quaisquer conjunturas, e não somente quando tudo lhe transcorre bem e agradavelmente. É muito fácil manter-se nas situações favoráveis, sem enfrentamentos, mas também sem novas experiências evolutivas que o progresso impõe.
O amor é esse maravilhoso buril que retira as imperfeições do caráter, modelando anjos e santos, artistas e sábios...
Sempre chamou a atenção dos amigos e dos adversários de Jesus o hábito que Ele manteve de conviver com os infelizes, os excluídos da Sua sociedade, aqueles que constituíam a ralé, deixados à margem como inúteis, pecadores ou condenados...
Ao buscá-los, lecionou a mais excelente forma de expressar o amor, porquanto os dignificava, erguendo-os do abismo em que se encontravam por vontade própria, ou porque haviam sido ali atirados, demonstrando que a luz vence a treva, e a saúde supera a doença. Ele era o médico dos desvalidos e não somente dos bem-sucedidos, que também não desprezava, porque todos são carentes de afetividade.
Com a mesma naturalidade com que socorreu Simão, o leproso, desdenhado e infeliz, recebeu Nicodemos, príncipe e doutor do Sinédrio, destacado na sociedade, embora sedento de luz...
Arriscou a própria vida, propondo novo comportamento aos apedrejadores da mulher adúltera, que era vítima de si mesma e do contexto social injusto no qual vivia, ajudando-a na renovação interior e tornando-a útil à sociedade, o que repetiu com a mulher equivocada de Magdala que Lhe buscou orientação e recuperou-se...
Perseguido insensatamente pelos adversários gratuitos compadecia-se da sua ignorância e estupidez, tendo paciência amorosa com eles, e, mesmo quando foi constrangido à severidade, não se exasperou nem lhes guardou qualquer tipo de ressentimento.
O amor em Jesus é a presença de Deus no Seu coração, que Ele transferia para os Seus discípulos, auxiliando-os na libertação das matrizes da personalidade enferma, de modo que pudessem operar com segurança a construção de novos comportamentos.
Ninguém pode apagar certas recordações e condutas ancestrais, arquivadas nos recessos da memória, mas as pode substituir por outras saudáveis que se irão incorporar nos conteúdos do ser, passando a proporcionar conduta desejável.
O amor não tem limites, e sempre sai vitorioso em qualquer situação em que seja colocado.
Em razão do Seu amor inefável, tornou-se escultor de almas, começando o mister com os discípulos arraigados às tradições, habituados ao revide e ao ressentimento, sensíveis às agressões e à vingança.
Ensinando pelo exemplo, demonstrava sem palavras que feliz é aquele que ama e que serve, que se dedica e que olvida o Mal, que se faz o menor diante dos pequeninos, de tal forma que revela toda a grandeza de que é portador.
Foi dessa maneira que, na última ceia, tomando de uma toalha e de uma bacia com água, ajoelhou-se e pôs-se a lavar os pés dos discípulos aturdidos, que tentaram recusar-se a essa máxima doação. E quando Pedro Lhe disse:
Nunca me lavarás os pés;
Respondeu-lhe Jesus:
Se eu te não lavar, não tens parte comigo.(15)
Mais tarde, quando Judas O beijou, consumando a traição, Ele, que o conhecia muito bem, que sabia das suas carências afetivas e das suas frustrações, retribuiu o crime, chamando-o de Amigo. (16)
Quem, na história da humanidade que se Lhe possa equiparar?!
Somente pelo amor o homem será salvo - Ele o asseverara aos companheiros surpresos.
O amor é o pano de fundo que se pode encontrar nas bem-aventuranças, alterando para sempre o comportamento moral e social da vida humana.
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15-João, 13:8.
16- Mateus, 26:50 (notas da Autora espiritual).
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Livro VIVENDO COM JESUS, 18 - Amélia Rodrigues e Divaldo Franco
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