29/11/2025

 Estudo sobre TEMOR DA MORTE, do Livro O CÉU E O INFERNO    

   



LEITURA INICIAL: VIDA FELIZ - 60


Vez que outra, dedica algum tempo para meditar a respeito da morte.

A morte arrebata os inimigos, os afetos, e te chegará num momento qualquer.

Prepara-te todo dia, como se ele fosse o teu último na Terra.

Acostumando-te a pensar na morte, ela não te ferirá quando passe pela tua porta ou conduza alguém que te seja amado.

São Francisco de Assis aguardava-a com a tranquilidade com que "capinava o jardim"


Síntese do Estudo sobre o TEMOR DA MORTE


  • A maioria das pessoas tem Medo da Morte

  • Tem havido muita superstição, fantasias e desinformações sobre a morte do corpo físico.

  • Algumas religiões fatalistas apresentam perspectivas de céus idílicos e infernos assustadores e eternos, com receitas condicionadas a certas regras religiosas para conquistar uns e evitar outros.


Segundo Allan Kardec:

  • Durante a vida, o Espírito está preso ao corpo pelo seu envoltório semimaterial ou perispírito

  • A morte é apenas a destruição do corpo, e não a do segundo envoltório, que se separa do corpo e continua a viver em outra dimensão consciencial.

  • A separação é gradual, dependendo de vários fatores.


Fatores que influenciam na facilidade ou dificuldade da separação:

  • Grau de apego a valores materiais...

  • Cultivo de paixões inferiores...

  • Cultivo de valores morais

  • O quanto sabe exercitar o amor e a compreensão...

  • Remorsos e temores...


O que nos é aconselhável fazer?

  • Vez que outra meditar a respeito da morte.

  • Preparar-se cada dia como se fosse o último na Terra

  • Buscar se Autoconhecer (919 e 919a d0 Livro dos Espíritos)

  • Só fazer ao outro o que gostaríamos que nos fizessem...

  • Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.


TEMOR DA MORTE


A morte do corpo físico, ou desencarnação segundo terminologia espírita, pode apresentar alguns mistérios, em geral fornecidos pelas religiões ou pela educação que foi transmitida ao Espírito, a despeito de ser a desencarnação um fenômeno natural e inexorável. Há muita superstição, fantasias e desin- formações sobre a morte do corpo físico, causando temores e até situações de desespero ou revolta.

Pode-se dizer, contudo, que o temor da morte está relacionado a dois fatores básicos: ignorância a respeito da vida no além-túmulo e processos de culpa ou remorso decorrentes da lembrança dos atos cometidos durante a existência física. Esclarece Allan Kardec que durante a vida, o Espírito está preso ao corpo pelo seu envoltório semimaterial ou perispírito. A morte é apenas a destruição do corpo, e não a desse segundo envoltório, que se separa do corpo quando cessa neste a vida orgânica. A observação comprova que, no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; que se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável conforme os indivíduos. Em uns é bastante rápido, podendo se dizer que o momento da morte é também o da libertação; em outros, sobretudo naqueles cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido, durando algumas vezes dias, semanas e até meses, o que não implica a existência, no corpo, da menor vitalidade, nem a possibilidade de um retorno à vida. (LE - q. 155)

Percebe-se, então, que a primeira providência é preparar-se para morrer. .Há necessidade do indivíduo aprender a libertar-se do jugo das influências materiais, porque elas são, todas, de caráter transitório, evitando apego excessivo a elas. É de fundamental importância que o Espírito reencarnado desenvolva, desde a infância, aprendizados de ordem moral, capazes de lhe fornecer certa dignidade espiritual, refletida nos seus atos cotidianos, independentemente das convicções religiosas que possua ou da forma como foi educado.

Não há dúvida que a consciência culpada, atormentada por remorsos, sofre durante e após a desencarnação, senão antes do final da existência física. Neste sentido, assinala Espírito Lacordaire “[…] O amor aos bens terrenos é um dos mais fortes entraves ao vosso adiantamento moral e espiritual […]”. (EE - cap. XVI, item 14).

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Um fato que merece destaque é que, quando se aproxima o instante de retornar à vida espiritual, a pessoa é, geralmente, tomada por uma espécie de lucidez sobre as conseqüências dos seus atos e escolhas executados ao longo da reencarnação. Entretanto, já não há mais tempo, o que foi feito foi feito, não há como voltar atrás. Por conseguinte, o indivíduo sofre, deixando-se conduzir por medos, alguns até injustificados. São tormentos impostos ao indivíduo por ele mesmo, por efeitos de atos e comportamentos desenvolvidos, por ignorância ou imprudência.

O homem vive incessantemente em busca da felicidade, que lhe escapa a todo instante, porque a felicidade sem mescla não existe na Terra. Entretanto, apesar das vicissitudes que formam o cortejo inevitável da vida terrena, poderia ele, pelo menos, gozar de relativa felicidade, se não a procurasse nas coisas perecíveis e sujeitas às mesmas vicissitudes, isto é, nos gozos materiais, em vez de procurá-la nos prazeres da alma, que são um gozo antecipado das alegrias celestes, imperecíveis; em vez de procurar a paz do coração, única felicidade real neste mundo, ele se mostra ávido de tudo que o possa agitar e perturbar e, coisa curiosa! O homem parece criar para si, propositadamente, tormentos que está nas suas mãos evitar. Haverá maiores tormentos do que os causados pela inveja e pelo ciúme? Para o invejoso e o ciumento, não há repouso; estão perpetuamente febris. O que não têm e os outros possuem lhes causa insônias; os sucessos dos rivais lhes dão vertigem; são movidos apenas pela vontade de sobrepujar seus vizinhos; toda a sua alegria consiste em excitar, nos insensatos como eles, a raiva e o ciúme que os devora. Pobres insensatos, com efeito, não pensam que amanhã, talvez, terão de deixar todas essas futilidades, cuja cobiça lhes envenena a vida! (EE cap. V, item 23).

Dessa forma, o Espírito preso às paixões inferiores sofre, sim, com a morte do corpo físico, que lhe parece perda irreparável, uma dolorosa tragédia. Daí a preocupação e o temor demonstrados no instante da morte.

Na verdade, ele já se encontrava morto, em termos espirituais, pela cegueira que se conduziu vida afora. Estava morto, mesmo quando o corpo físico se encontrava em plena vitalidade. Para ele, por ora, cabe apenas o conselho de Jesus: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos” (Lucas, 9.6. Bíblia de Jerusalém), considerando que essa pessoa ainda não revela possuir o necessário discernimento para buscar os valores espirituais. É um aprendizado que está por fazer, mas que, cedo ou tarde, lhe será concedido nas inúmeras experiências reencarnatórias.

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Situação diversa acontece com o Espírito que durante a existência física se deixou conduzir por uma vida mais simples, sem ganâncias ou ambições exageradas; que procurou desenvolver virtudes, combatendo imperfeições; que praticou a caridade, promovendo o bem; que cumpriu seus deveres familiares, profissionais e sociais.

A sua desencarnação será mais amenizada, os sofrimentos ou angústias dos momentos finais serão perfeitamente suportados, porque tem consciência de que “fez o melhor que lhe foi possível”. E mais: mesmo que essa pessoa não possua maiores informações sobre o plano espiritual para onde se encaminha, sua conduta moral responsável durante a existência tem o poder de atrair Espíritos benfeitores que, voluntariamente posicionados ao seu lado, o ampara e lhe ameniza possíveis sofrimentos nessa fase de transição. Tocado pelas vibrações superiores e pelo apoio dos amigos espirituais, adquire a necessária tranquilidade para atravessar os momentos finais da desencarnação. Nesta situação, é comum o Espírito adquirir certa lucidez e perceber, intuitivamente, que a vida não acaba com a morte do corpo físico. Verifica, então, que a vida espiritual é, realmente, a verdadeira vida, é a vida normal do Espírito; sua existência terrestre é transitória e passageira, espécie de morte, se comparada ao esplendor e atividade da vida espiritual. O corpo não passa de vestimenta grosseira que reveste temporariamente o Espírito, verdadeiro grilhão que o prende à gleba terrena, do qual ele se sente feliz em libertar-se. […]. (EE cap. XXIII, item 8).

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Os Orientadores da Vida Maior informam que, a rigor, não é dolorosa a separação da alma do corpo no momento da desencarnação, uma vez que, em geral, o Espírito encontra-se em estado de inconsciência: “Na morte natural, a que resulta do esgotamento dos órgãos, em conseqüência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber: é uma lâmpada que se apaga por falta de óleo.” (LE Q. 154 - comentário).

Outra informação, não menos importante, é de que nos instantes limítrofes entre a morte do corpo físico e o desligamento perispiritual, a alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo a que se restituiu subitamente a liberdade. Aqueles dois estados se tocam e se confundem, de modo que o Espírito se desprende pouco a pouco dos laços que o prendiam: eles se desatam, não se quebram. (LE Q. 155-a).

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Extraído do site da BÍBLIA DO CAMINHO

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