02/07/2020

Olá!

Segue nosso estudo de sexta-feira às 19 hs.
Livro Ação e Reação - Capítulo 17 - 
Dívida Expirante



Leitura Inicial:

Seja cordato sempre.
É melhor perderes algo numa disputa, do que te engalfinhares numa luta mais prejudicial, que te trará danos maiores.
Não se trata de ter medo, porém de possuir sabedoria.
O homem pacífico é feliz, e as quinquilharias não o podem perturbar.
O problema é de escolha. Que será melhor: ganhar uma altercação, para não ser ignorante ou bobo, ou perdê-la, sendo prudente e sábio?
A cordura sempre vence. O que não logra exteriormente, consegue em paz interna.

 Livro: Vida Feliz - 107 / Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco


Trecho do estudo:

Livro: Ação e Reação

17 - DÍVIDA EXPIRANTE

Era agora num hospital, em triste pavilhão de indigentes, a nova lição que Silas nos reservava.
Ganhando o interior, diversos companheiros acolheram-nos, gentis. E, após saudações amigas, um deles, o Atendente Lago, avançou para o mentor de nossos estudos, cientificando:
- Assistente, o nosso Leo parece gastar os derradeiros recursos da resistência...
Silas agradeceu a informação e explicou que vínhamos justamente para colaborar no descanso de que se fazia credor.
E atravessando longa fila de leitos pobres, nos quais enfermos jaziam padecentes, ao pé de alguns desencarnados em trabalho assistencial, estacamos junto de um doente esquálido e angustiado.
A mortiça claridade de pequena lâmpada, destinada à vigília da noite, vimos Leo, que uma tuberculose pulmonar arrastava ao cepo da morte.
Não obstante a dispnéia, mostrava o olhar calmo e lúcido, revelando perfeita conformação aos padecimentos que o conduziam ao termo da experiência.
Recomendou-nos Silas observar-lhe o corpo, entretanto, não havia muita particularidade a destacar, porquanto os pulmões quase destruídos, através de sucessivas formações cavitárias, haviam provocado tamanho abatimento orgânico, que o vaso físico sob nossos olhos não era mais que um trapo de carne, agora aberto à multiplicação de bacilos vorazes, aliados a exércitos microbianos de variada espécie, a se apinharem, dominadores, na intimidade dos tecidos, assim como inimigos implacáveis a se lhe apoderarem dos restos, senhoreando todos os postos-chaves da defensiva.
Achava-se Leo, desse modo, no veículo denso, à maneira de um homem irremediavelmente condenado à expulsão da sua própria casa.
Todos os sintomas da morte patenteavam-se, iniludíveis.
O coração fatigado assemelhava-se a motor exausto, incapaz de liquidar os problemas da circulação sangüínea, e todos os implementos da aparelhagem respiratória esmoreciam, desnorteados, sob inexorável asfixia.
Leo, moribundo, era um viajante habilitado à grande romagem, tão-somente à espera do sinal de partida.
Ainda assim, estava sereno e portava-se com bravura.
Tão acentuada se lhe evidenciava a acuidade mental, que quase nos percebia a presença.
Silas, que lhe acariciava a fronte com a destra generosa, disse-nos, atencioso:
- Já que vieram para anotar um processo de divida expirante, podem algo perguntar ao companheiro, cuja memória se revela, tanto quanto possível, consciente e vigilante.
- Ouvir-nos-á, porém? - inquiriu Hilário, entre surpreso e compungido.
- Não com os tímpanos da carne, contudo, assinalar-nos-á qualquer indagação em espírito – esclareceu o Assistente, afetuoso.
Dominado de intensa simpatia, inclinei-me sobre o irmão em rude prova, atraído pela fé que lhe abrilhantava as pupilas e, abraçando-o, indaguei, em voz alta:
- Leo amigo, reconhece-se você no limiar da vida verdadeira? Sabe que deixará o corpo em breves horas?
O interpelado, crendo raciocinar por si mesmo, registrou-me a inquirição, palavra por palavra, qual se lhe fossem transmitidas ao cérebro por fios invisíveis. E, como se conversasse a sós consigo, falou findo:
- Oh! sim, a morte!... Sei que, provavelmente esta noite, chegarei ao justo fim...
Desdobrando o nosso diálogo, acrescentei:
- Não tem receio?
- Nada posso temer... - refletiu muito calmo.
E, movendo os olhos com esforço, buscou fitar na alva parede da enfermaria uma pequena escultura do Cristo crucificado, refletindo de si para consigo:
- Nada posso recear, em companhia do Cristo, meu Salvador... Ele também foi vilipendiado e esquecido... Terá vomitado sangue na cruz do martírio, Ele que era puro, varado pelas chagas da ingratidão... Por que não me resignar à cruz do meu leito, suportando, sem reclamar, as golfadas de sangue que de quando em quando me anunciam a morte, eu que sou pecador necessitado da complacência divina?!...
- Você é católico romano?
- Sim...
Meditei na sublimidade do sentimento cristão, vivo e sincero, seja qual for a escola religiosa em que se exprima, e prossegui, afagando-lhe o peito opresso:
- Nesta hora de tanta significação para o seu caminho, sinto a ausência de seus familiares humanos...
- Ah! meus familiares... meus afetos... - respondeu, falando mentalmente - meus pais teriam sido no mundo os meus únicos amigos... No entanto, demandaram o túmulo, quando eu era simplesmente um jovem enfermo... Separado de minha mãe, vi-me entregue aos desajustes orgânicos... Logo após, meu irmão Henrique não hesitou em declarar-me incapaz... Por direito à herança, cabiam-lhe grandes bens, contudo, prevalecendo-se do meu infortúnio o mano obteve da Justiça, com meu próprio assentimento, a documentação com que se fazia meu tutor... Bastou, porém, a consecução dessa medida, para que se transformasse para mim num verdugo cruel...
Apossou-se-me de todos os recursos... Internou-me num hospício, em que amarguei longos anos de isolamento... Sofri muito... Alimentei-me com o pão recheado de fel, destinado pelo mundo aos que lhe penetram as portas como réprobos do berço, porque o desequilíbrio mental me perseguia desde a idade mais tenra... Quando algo melhorado, fui constrangido a deixar o manicômio. Recorri-lhe à porta, mas expulsou-me sem compaixão... Fiquei apavorado, vencido... Ó meu Deus, como escarnecer assim de um irmão doente e infeliz?.
Debalde impetrei socorro à Justiça. Legalmente, Henrique era o único senhor dos haveres de nossa casa...Envergonhado, busquei outros climas... Tentei o trabalho digno, mas apenas obtive, em meu favor, a profissão de vigia noturno, passando a rondar vasto edifício comercial, amparado por um homem caridoso, condoído de minha fome... O frio da noite, porém, encontrava-me ao desabrigo e, a breve tempo, adquiri uma febre insidiosa que passou a devorar-me devagarinho... Não sei quanto tempo estive, assim, chumbado a indefinível desânimo... Certa feita, caí fatigado sobre a poça de sangue que se me derramava da boca e criaturas piedosas me angariaram o leito em que me refugio...
- E que opinião mantém você, acerca de Henrique? Lembra-se dele com mágoa?
Qual se mergulhasse a memória em ondas de enternecimento e saudade, Leo deixou que as lágrimas se lhe entornassem dos olhos, em dolorosa quietude mental.
Em seguida, monologou por dentro:
- Pobre Henrique!... Não deverei, antes, lastimá-lo? Acaso, não deverá ele igualmente morrer? De que lhe terá valido a apropriação indébita se será também um dia alijado do corpo? por que me reportaria a perdão, se ele é mais infeliz que eu mesmo?
E, tornando a pousar os olhos na figura do Cristo, continuou:
- Jesus, escarnecido e espancado, esqueceu ofensas e deserções... Içado à cruz, não clamou contra os amigos que o haviam lançado à humilhação e ao sofrimento... Não teve uma palavra de censura para os truculentos algozes... Ao invés de incriminá-los, pedira ao Pai Celeste amorosa proteção para todos... E Jesus foi o Embaixador de Deus entre os homens... Com que direito julgarei, assim, meu próprio irmão, se eu, alma necessitada de luz, não posso penetrar os Divinos Juízos da Providência?
Aquietara-se Leo em pranto, buscando internar a mente no templo de amor da prece.
A humildade a que se recolhia tocava-me o coração.
Ergui-me de olhos úmidos.
Para sondar-lhe a grandeza dalma, não seria preciso alongar o interrogatório.
Hilário, que se mostrava comovido até às lágrimas, desistiu de qualquer consulta, apenas inquirindo ao Assistente se o agonizante estava reencarnado sob os auspícios da Mansão, ao que Silas informou, prestativo:
- Sim, Leo vive tutelado por nossa casa. Aliás, temos algumas centenas de criaturas que, não obstante materializadas na carne, permanecem ligadas à nossa instituição pelas raízes dos débitos a que se prendem, geralmente todas elas em estágios difíceis de regeneração, porque delinqüentes em reajuste. Renascem no mundo sob a guarda de nosso estabelecimento socorrista, mas naturalmente ainda enleadas, de certo modo, aos parceiros do pretérito, com cuja influência tomam contacto, consolidando as qualidades morais de que necessitam, através dos conflitos interiores que podemos classificar como sendo a forja da tentação.
- Como é belo apreciar o amor paternal de Deus que a tudo atende no lugar próprio!... - clamou Hilário.
- Sem dúvida - considerou Silas, sensatamente -, a Lei de Deus determina o progresso e a dignidade para todos. Sabem vocês que, via de regra, os desencarnados que se asilam na Mansão constituem grande ajuntamento de criminosos e viciados...
E, modificando a inflexão de voz, acrescentou:
- Como eu mesmo. Ali recebemos atenção e carinho, assistência e bondade, reeducando-nos, às vezes, por muitos anos... Contudo, é imperioso observar que, recolhendo a generosidade dos benfeitores e instrutores que nos garantem aquele pouso de amor, apenas acumulamos débitos com a proteção imerecida, compromissos esses que precisamos resgatar, igualmente em serviço ao próximo. Todavia, a fim de que nos habilitemos para as tarefas do bem genuíno, é imprescindível purgar a nossa condição inferior, agravada na culpa, porquanto o conhecimento elevado, adquirido em nossa organização, vale mais como teoria nobilitante, que nos cabe substancializar na prática correspondente, para que se incorpore, em definitivo, ao nosso patrimônio moral. Eis por que, depois do aprendizado breve ou longo em nosso instituto, somos novamente internados na esfera da carne e, aí, é óbvio que, apesar de protegidos por nossos mentores, deveremos sofrer a aproximação dos antigos comparsas de nossos delitos, para demonstrar aproveitamento e assimilação do amparo recebido.
...

Olá amigos!
Ouçam abaixo o trecho do livro Boa Nova


"...Enviei meus discípulos como ovelhas ao meio de lobos e vos recomendo que lhes sigais os passos no escabroso caminho. Depois deles, é a vós que confio a tarefa sublime da redenção pelas verdades do Evangelho. Eles serão os semeadores, vós sereis o fermento divino."

"...O mundo vos cobrirá de golpes terríveis e destruidores, mas, de cada uma das vossas feridas, retirarei o trigo luminoso para os celeiros infinitos da graça, destinados ao sustento das mais ínfimas criaturas!… Até que o meu Reino se estabeleça na Terra, não conhecereis o amor no mundo; eu, no entanto, encherei a vossa solidão com a minha assistência incessante. Gozarei em vós, como gozareis em mim, o júbilo celeste da execução fiel dos desígnios de Deus. Quando tombardes, sob as arremetidas dos homens ainda pobres e infelizes, eu vos levantarei no silêncio do caminho, com as minhas mãos dedicadas ao vosso bem. Sereis a união onde houver separatividade, sacrifício onde existir o falso gozo, claridade onde campearem as trevas, porto amigo, edificado na rocha da fé viva, onde pairarem as sombras da desorientação. Sereis meu refúgio nas igrejas mais estranhas da Terra, minha esperança entre as loucuras humanas, minha verdade onde se perturbar a ciência incompleta do mundo!…"

“Amados, eis que também vos envio como ovelhas aos caminhos obscuros e ásperos. Entretanto, nada temais! Sede fiéis ao meu coração, como vos sou fiel, e o bom ânimo representará a vossa estrela! Ide ao mundo, onde teremos de vencer o mal! Aperfeiçoemos a nossa escola milenária, para que aí seja interpretada e posta em prática a lei de amor do Nosso Pai, em obediência feliz à sua vontade augusta!”
Sagrada emoção senhoreara-se das almas em êxtase de ventura. Foi então que observaram o Mestre, rodeado de luz, como a elevar-se ao céu, em demanda de sua gloriosa Esfera do Infinito.

Os primeiros astros da noite brilhavam no alto, como flores radiosas do Paraíso. No monte galileu, cinco centenas de corações palpitavam, arrebatados por intraduzível júbilo. [...] Os antigos discípulos, cercando a figura de Simão Pedro, choravam de contentamento e esperança.

Naquela noite de imperecível recordação, foi confiado aos quinhentos da Galileia o serviço glorioso da evangelização das coletividades terrestres, sob a inspiração de Jesus-Cristo."

Fonte: Livro Boa Nova, Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Humberto de Campos



01/07/2020


Olá! 
Segue nosso estudo de quarta-feira, às 19hs.
Livro Cristianismo e Espiritismo 

Nota Complementar nº 14






Leitura inicial:

LXXII

Abençoa com alegria cada oportunidade evolutiva.

A dor enfrentada com resignação diminui de intensidade, tanto
quanto suportada em silêncio passa com mais rapidez.

Nunca te alcançam os sofrimentos que não mereças, assim como não passarás pela Terra, em regime de exceção, sem os enfrentares. As Leis de Deus são iguais para todos.

Substituindo o amor que escasseia, a dor é a mestra que impulsiona ao avanço.

Fonte: Livro Vida Feliz, Divaldo Franco pelo Espírito Joanna de Ângelis


Trecho do estudo:

Estudo das Notas Complementares

N. 14 - Sobre a sugestão ou a transmissão do pensamento


No que se refere às teorias da telepatia, da transmissão do pensamento ou da sugestão, o Dr. Roman Uricz, chefe da clínica do Hospital de Bialy-Kamien, na Galícia, relata a seguinte experiência feita com uma adolescente de catorze anos, muito pouco instruída:

“Tomei cem pequenos cartões brancos e neles escrevi os algarismos de 0 a 9; dez cartões com 0, dez com algarismo 1, outros dez com 2 e assim sucessivamente. Depois de bem misturados, apagou-se a luz e eu tirei do maço alguns cartões, colocando-os enfileirados, da esquerda para a direita, sobre a mesa.

Pedi então à Inteligência que escrevesse o número assim formado. Obtida a resposta por escrito, acendia-se de novo a lâmpada e lia-se o número: a resposta sempre foi correta. Não podia ser isso leitura de pensamento, pois que nenhum de nós conhecia o número em questão...

“Os conhecimentos da médium em aritmética são muito escassos, não tendo ela aprendido na escola de sua aldeia mais que as quatro principais operações. Poder-se-ia suspeitá-la de ser clarividente.

“Para garantir-me contra essa possibilidade, combinei a seguinte experiência: na mais completa obscuridade, coloquei vinte cartões ao lado um do outro e pedi à Inteligência que me desse a raiz quadrada do número assim formado. A resposta foi dada em alguns minutos: 7.501.273.011. Estava certa, porque o número formado pelos cartões era:

56.269.096.785.557.006.121

“Repeti doze vezes essa experiência. De três não obtive resposta; uma vez a resposta veio errada, mas oito vezes foi exata. Semelhantes operações de aritmética estão absolutamente fora da capacidade do médium. Os resultados de minhas experiências não podem ser, portanto, atribuídos nem à transmissão de pensamento, nem à clarividência.” (Ver Revue Spirite, abril, 1907)

Por outro lado, a Sra. Britten, escritora espiritualista de nomeada, na Inglaterra, cita uma experiência decisiva de Robert Hare, professor na Universidade de Pensylvânia, que foi muitas vezes referida, mas que ela narra como tendo-a ouvido pessoalmente do sábio professor. Experimentava ele, como tantos outros, com o único fim de descobrir o que a priori havia decidido não passar de abominável farsa. Depois de investigações prosseguidas durante longos meses, veio ele, por fim, a concluir que os fenômenos revelavam a existência de uma força até então desconhecida e que os ensinos transmitidos emanavam todos da inteligência, ou, por dizer diversamente, da transmissão de pensamento; é o que, contemporaneamente, foi apresentado como uma nova descoberta, a que deram o nome de telepatia.

Para neutralizar essa força, o professor inventou uma espécie de quadrante percussor, cujos movimentos eram influenciados por médiuns de efeitos físicos, enquanto uma agulha, acionada pelo poder mediúnico, indicava as letras do alfabeto colocado do lado da mesa, oposto ao médium, de modo que lhe fosse absolutamente impossível dirigir a agulha e não pudesse ver nem conhecer as comunicações ditadas. O quadrante era então influenciado pelo poder do médium, mas sem que este pudesse verificar a palavra soletrada, ficando também os assistentes na impossibilidade de dirigir a força que fazia mover o quadrante.

Foi no curso de uma série de experiências feitas por esse meio que um Espírito, que se dizia o primogênito do professor – um pequenino falecido aos dois anos de idade – vinha constantemente comunicar-se Posto que afirmasse haver-se tornado um homem, ele designava habitualmente pelo nome de Pequeno Tarley, pretendendo pronunciar Tarley em lugar de Charley, para dar, com essa designação infantil, uma prova da sua identidade.

Um dia em que o quadrante desempenhava lentamente a sua tarefa sob a mão de um poderoso médium, e o Pequeno Tarley se tinha anunciado, disse-lhe o professor:

– Pois bem, Pequeno Tarley, se és verdadeiramente tu que estás ai, pois que parece saberes tanta coisa, dize o que tenho eu em um pacote que está no bolso do meu casaco.

– Tens, pai – soletrou o Espírito –, em um pedaço de papel amarelo desbotado, um retalho do véu de renda amarela, ainda mais desbotado, que me foi retirado do rosto quando me achava deitado no pequenino ataúde.

– Pequeno Tarley – respondeu em tom de motejo o professor – vejo que muito pouco sabes, pois que nada de semelhante tenho no bolso. Depois, voltando-se para as pessoas que formavam o círculo, disse-lhes gravemente:

– Vede, amigos, o que são as pretensas comunicações dos Espíritos, quando não há cérebro em que possam ler. É um sapatinho o que tenho no bolso; retirei-o, antes de fecharem o esquife, de um pé de meu filho morto e conservei-o cuidadosamente em uma gaveta durante um quarto de século, em memória do meu primogênito, com os seus brinquedos e outras lembranças do meu caro desaparecido. Confessai agora que esse Espírito se diverte conosco.

Dizendo essas palavras, tira do bolso um embrulho e desdobra, um após outro, um certo número de velhos pedaços de papel amarelo; chega finalmente ao último que continha... um véu de renda amarela; no envoltório, a falecida mãe escrevera que havia sido retirado de sobre o rosto do seu pequenino morto...

O professor errara, mas o Espírito não se tinha enganado.


Olá!

Segue nosso estudo de quarta-feira às 20 hs.
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap.XVI - item 7
Utilidade Providencial da riqueza




Leitura inicial:

71 
Aproveita

  “Se  alguém  diz:  —  eu  amo  a  Deus,  e  aborrece  a seu  irmão, é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, ao qual viu,  como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1 João, 4:20)  

A vida é processo de crescimento da alma ao encontro da Grandeza Divina. 
Aproveita as lutas e dificuldades da senda para a expansão de ti mesmo, dilatando o teu círculo de relações e de ação. 
Aprendamos para esclarecer. 
Entesouremos para ajudar. 
Engrandeçamo-­nos para proteger. 
Eduquemo­-nos para servir. 
Com o ato de fazer  e dar alguma coisa, a alma se estende sempre mais além. 
Guardando a bênção recebida para si somente, o espírito, muitas vezes, apenas se adorna, mas, espalhando a riqueza de que é portador, cresce constantemente. 
Na prestação de serviço aos semelhantes, incorpora­-se, naturalmente, ao  coro das alegrias que provoca. 
No ensinamento ao aprendiz, liga­-se aos benefícios da lição. 
Na criação das boas obras, no trabalho, na virtude ou  na arte, vive no  progresso, na santificação ou na beleza com que a experiência individual e coletiva se alarga e aperfeiçoa. 
Na distribuição de pensamentos sadios e elevados, converte­-se em fonte viva de graça e contentamento para todos. No concurso espontâneo, dentro do ministério do bem, une-­se à prosperidade comum. 
Dá, pois, de ti mesmo, de tuas forças e recursos, agindo sem cessar, na instituição de valores novos, auxiliando os outros, a benefício de ti mesmo. 
O mundo é caminho vasto de evolução e aprimoramento, onde transitam, ao  teu lado, a ignorância e a fraqueza. Aproveita a gloriosa oportunidade de expansão que a esfera física te confere e ajuda a quem passa, sem cogitar de pagamento de qualquer natureza. 
O próximo é a nossa ponte de ligação com Deus. 
Se buscas o Pai, ajuda ao teu  irmão, amparando­-vos reciprocamente, porque, segundo a palavra iluminada do evangelista, "se alguém diz: — eu amo a Deus, e aborrece o semelhante, é mentiroso, pois quem não ama o companheiro com quem convive, como pode amar a Deus, a quem ainda não conhece?

Fonte: Livro Fonte Viva, Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

Trecho do estudo:

Utilidade providencial da riqueza. 
Provas da riqueza e da miséria 

7. Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, ideia que repugna à razão. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão. Ao fato, porém, de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir-se, como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados a propósito e com discernimento. 

Quando Jesus disse ao moço que o inquiria sobre os meios de ganhar a vida eterna: “Desfaze-te de todos os teus bens e segue-me”, não pretendeu, decerto, estabelecer como princípio absoluto que cada um deva despojar-se do que possui e que a salvação só a esse preço se obtém; mas apenas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. Aquele moço, com efeito, se julgava quite porque observara certos mandamentos e, no entanto, recusava-se à ideia de abandonar os bens de que era dono. Seu desejo de obter a vida eterna não ia até o extremo de adquiri-la com sacrifício. 

O que Jesus lhe propunha era uma prova decisiva, destinada a pôr a nu o fundo do seu pensamento. Ele podia, sem dúvida, ser um homem perfeitamente honesto na opinião do mundo, não causar dano a ninguém, não maldizer do próximo, não ser vão, nem orgulhoso, honrar a seu pai e a sua mãe, mas não tinha a verdadeira caridade; sua virtude não chegava até a abnegação. Isso o que Jesus quis demonstrar. Fazia uma aplicação do princípio: “Fora da caridade não há salvação.” 

A consequência dessas palavras, em sua acepção rigorosa, seria a abolição da riqueza por prejudicial à felicidade futura e como causa de uma imensidade de males na Terra; seria, ademais, a condenação do trabalho que a pode granjear; consequência absurda, que reconduziria o homem à vida selvagem e que, por isso mesmo, estaria em contradição com a lei do progresso, que é Lei de Deus.

Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna pernicioso o que lhe poderia ser de maior utilidade. É a consequência do estado de inferioridade do mundo terrestre. Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual. 

Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações. Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da Terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso.