23/04/2020

EU LI NUM LIVRO...

A palavra de hoje é "refolhos". 

Entre vários outros textos, o vocábulo acima aparece neste trecho do livro Pão Nosso:

..."Antes da reencarnação, Espíritos generosos endossaram as súplicas da alma arrependida, juízes funcionaram nos processos que lhe dizem respeito, amigos interferiram nos serviços de auxílio, contribuindo na organização de particularidades da luta redentora… Esses irmãos e educadores passam a ser testemunhas permanentes do tutelado, enquanto perdura a nova tarefa e lhe falam sem palavras, nos refolhos da consciência. Filhos e pais, esposos e esposas, irmãos e parentes consanguíneos do mundo são protagonistas do drama evolutivo. Os observadores, em geral, permanecem no outro lado da vida."

Vamos ao significado: Parte mais íntima, mais secreta da alma:

Fontes : Livro Pão Nosso, Francisco Candido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, 76 - As testemunhas
                https://www.dicio.com.br/refolhos/


 Até a próxima!
Olá amigos!
Ouçam abaixo um trecho do livro Contos Desta e Doutra Vida




29 - O ESCRIBA INCRÉDULO

Descansava Jesus em casa de Igorin, o curtidor, no vilarejo de Dalmanuta, quando Joab, escriba em Cesareia, partiu à procura dele, em companhia de Zebedeu, pai de Tiago e João, que lhe devotava imensa estima. 

Enquanto caminhava, depois de largada a barca, o amigo da cidade, que jamais contemplara o Doce Nazareno, falava compungido de mágoas que sofrera. Sentia-se doente, em suprema revolta. 

Desejava escutar o verbo do Senhor para certificar-se quanto à própria conduta. 

Dizia-se crivado de injustiça e calúnia. 

Permutavam, assim, impressões espontâneas e afetuosas quando o lar de Igorin lhes surgiu pela frente, ao longe.

Ao redor do tugúrio, congregavam-se enfermos, avultando, entre eles, um homem maduro e esbelto a gritar, estentórico, e que, guardado à pressa, excluiu-se do quadro, desafiando, assim, a curiosidade de ambos os viajores. 

No átrio da casa pobre, indaga Zebedeu de uma velha aleijada quem era aquele mísero, e informa-lhe a anciã que se tratava de um louco infeliz à procura do Mestre. 

Nisso, Tiago e Pedro aparecem de chofre e dizem que Jesus pretendia ausentar-se para a prece nos montes. 

Joab, ouvindo isto, penetra sozinho pela casa, e encontra em quarto humilde o Cristo generoso, meditando em silêncio.

 -Mestre! –clama, chorando, depois de confortado às saudações primeiras – tenho o peito dorido e o pensamento em fogo, humilhado que estou por injúrias atrozes. Feriram-me, Senhor, enodoando-me o nome e furtando-me o pão... Que fazer ante o mal que me ataca, insolente? de que modo portar-me, perante os inimigos que me cobrem de lodo? 

-Perdoa, filho meu! –disse o Amigo Celeste.

-Senhor, como esquecer malfeitores e ingratos?

-Anotando-lhes sempre a condição de enfermos. 

-Enfermos? como assim, se perseguem matando?

-Não procederiam desse modo se não fossem dementes. 

-Mestre – insistiu Joab -, convém esclarecer que os meus adversários são ladrões perigosos... 

-São, pois, mais infelizes... 

-Infelizes porque? se tem casas faustosas e terras florescentes? 

-Todavia, amanhã descerão ao sepulcro, abandonando o furto a mãos que desconhecem... 

-Entretanto, Senhor, sem qualquer razão justa, eles querem prender-me. 

-Não importa, meu filho, pois todo delinqüente está preso em si mesmo às algemas da treva. 

-Mestre! Mestre! Ainda assim, espreitam-me igualmente em tocaia sinistra, prelibando-me a morte, todos eles armados de punhais assassinos!... 

-Perdoa e ora por eles – disse o Cristo, sereno -, porque é da Eterna Lei que a justiça se faça... Todo aquele que fere será também ferido... 

O escriba, em desespero, ajuntou lacrimoso:

 -Senhor, estou sozinho, despojado de tudo... Iludiram-me a esposa e roubaram-me os filhos... Acusado sem culpa, o cárcere me espera; venerei sempre as leis, guardando-lhes os princípios e toda a minha dor nasce da sombra hostil da infâmia que me cerca! Que fazer, Benfeitor, ante as garras da lama? 

-Filho, perdoa sempre, olvida todo mal e faze todo o bem, porque somente o bem é luz que não se apaga... 

Incapaz de conter o assombro que o traía, Joab esgueirou-se de soslaio, perguntando lá fora aos amigos surpresos: 

-Dizei-me, por favor, onde acharei o Mestre Jesus? quero Jesus para ouvir-lhe a palavra!... O escriba renitente conservava a impressão de ter ouvido o louco que avistara ao chegar àquela casa, e não o próprio Cristo... 

Fonte: Contos Desta e Doutra Vida, Framcisco Candido Xavier, pelo Espírito Irmão X

22/04/2020

Olá!

Segue nosso estudo de quarta-feira às 20 hs.
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap.XVI
Salvação dos ricos - itens 1 e 2

Leitura inicial:


41 
Defenda-se 

Não converta seus ouvidos num paiol de boatos. A intriga é uma víbora que se aninhará em sua alma. 
* 
Não transforme seus olhos em óculos da maledicência. As imagens que você corromper viverão corruptas na tela de sua mente. 
* 
Não faça de suas mãos lanças para lutar sem proveito. Use-as na sementeira do bem.
 * 
Não menospreze suas faculdades criadoras, centralizando-as nos prazeres fáceis. Você responderá pelo que fizer delas. 
* 
Não condene sua imaginação às excitações permanentes. Suas criações inferiores atormentarão seu mundo íntimo.
 *
 Não conduza seus sentimentos à volúpia de sofrer. Ensine-os a gozar o prazer de servir. 
*
Não procure o caminho do paraíso, indicando aos outros a estrada para o inferno. A senda para o Céu será construída dentro de você mesmo. 

Fonte: Livro Agenda Cristã, Francisco Candido Xavier, pelo Espírito Andre Luiz


Trecho do estudo:

Salvação dos ricos 

1. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se prenderá a um e desprezará o outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon. (Lucas, 16:13.) 

2. Então, aproximou-se dele um mancebo e disse: 
“Bom Mestre, que bem devo fazer para adquirir a vida eterna?” — Respondeu-lhe Jesus: “Por que me chamas bom? Bom, só Deus o é. Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos.” “Que mandamentos?” — retrucou o mancebo. Disse Jesus: “Não matarás; não cometerás adultério; não furtarás; não darás testemunho falso. Honra a teu pai e a tua mãe e ama a teu próximo como a ti mesmo.” O moço lhe replicou: “Tenho guardado todos esses mandamentos desde que cheguei à mocidade. Que é o que ainda me falta?” — Disse Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.”  Ouvindo essas palavras, o moço se foi todo tristonho, porque possuía grandes haveres. Jesus disse então a seus discípulos: “Digo-vos em verdade que bem difícil é que um rico entre no Reino dos Céus. Ainda uma vez vos digo: É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que entrar um rico no Reino dos Céus.”15 (Mateus, 19:16 a 24; Lucas, 18:18 a 25; Marcos, 10:17 a 25.)


Questão do Livro dos Espíritos citada no estudo:

480. Que se deve pensar da expulsão dos demônios, mencionada no Evangelho?

 “Depende da interpretação que se lhe dê. Se chamais demônio ao mau Espírito que subjugue um indivíduo, desde que se lhe destrua a influência, ele terá sido verdadeiramente expulso. Se ao demônio atribuirdes a causa de uma enfermidade, quando a houverdes curado direis com acerto que expulsastes o demônio. Uma coisa pode ser verdadeira ou falsa, conforme o sentido que empresteis às palavras. As maiores verdades estão sujeitas a parecer absurdos, uma vez que se atenda apenas à forma, ou que se considere como realidade a alegoria. Compreendei bem isto e não o esqueçais nunca, pois que se presta a uma aplicação geral.”
Olá! 
Segue nosso estudo de quarta-feira às 19hs.
Livro Cristianismo e Espiritismo 
Nota Complementar nº 13



Leitura inicial:
Ainda Hoje

Somente nós, as criaturas humanas, por vezes, acreditamos que um golpe seja capaz de sanar outro golpe.
Simples ilusão. O mal não suprime o mal.
Em razão disso, Jesus nos recomenda amar os inimigos e nos adverte de que a única energia suscetível de remover o mal e extingui-lo é e será sempre a força eterna do bem.


Fonte: Livro Ainda Hoje, Francisco Candido Xavier, Espíritos Diversos



Trecho do estudo:

Notas Complementares
13 - Sobre a telepatia

A Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres tomou a iniciativa de numerosas inquirições sobre os fenômenos de telepatia, de aparições e outras manifestações da mesma ordem.

A primeira dessas inquirições permitiu registrar na Inglaterra cerca de oitocentos casos de aparições, relatados na obra de Myers, Podmore e Gurney, intitulada Phantasms of the Living (“Fantasmas dos Vivos”).

Uma segunda inquirição, mais recente, revelou mais 1.652 casos. Todos esses fatos foram consignados e publicados em dois volumes de processos verbais: Proceedings of the Society for Psychical Researches. Os relatórios e outros documentos que os acompanham estão assinados por homens de ciência que ocupam eminentes posições nas academias e outras corporações doutas: astrônomos, matemáticos, físicos, químicos, etc. Entre as assinaturas encontram-se nomes como os dos Srs. Gladstone, Balfour, etc.

Essas aparições ocorrem quase sempre no momento da morte, ou depois da morte da pessoa cuja imagem reproduzem. Há também casos em que um homem vivo aparece a outro sem o saber. Pretenderam atribuir a esses fenômenos um caráter exclusivamente subjetivo; procuraram explicá-los pela alucinação, mas do exame atento dos processos verbais resulta que esses fatos têm caráter objetivo e real, pois que não impressionam somente criaturas humanas, tanto assim que, segundo pôde ser verificado por movimento de terror inexplicados, animais também os percebiam.

Em certos casos as mesmas aparições foram vistas sucessivamente, em diversos pavimentos de uma casa, por diferentes pessoas. Outros fenômenos da mesma natureza são acompanhados de manifestações físicas: ruídos, pancadas que ressoam, vozes que se ouvem, portas que se abrem, objetos deslocados por fantasmas.

Myers, autor da obra precedentemente citada, muito tempo hesitou em concluir pela existência dos Espíritos; mas, na impossibilidade de encontrar alhures a causa inteligente desses fenômenos, chegou a dizer isto (Annales des Sciences Psychiques, agosto de 1892, pág. 246): “O método espírita é, de si mesmo, necessário e verdadeiro”.

Essas investigações, feitas na Inglaterra e publicadas com o testemunho de pessoas cuja honorabilidade está acima de toda suspeita, foram prosseguidas na França pelo Dr. Dariex, pelo professor Richet, da Academia de Medicina de Paris, e pelo coronel de Rochas. Os resultados, verdadeiramente notáveis e idênticos aos obtidos do outro lado da Mancha, acham-se consignados nos Annales des Sciences Psychiques, citados acima.

O Sr. C. Flammarion também relata grande número desses fatos em sua obra L’Inconnu et les Problèmes Psychiques (O Desconhecido e os Problemas Psíquicos).





O Livro dos Médiuns
Capítulo XXII
 Da mediunidade nos animais

Esta comunicação deu-a ele em seguida a uma discussão, que se travara, sobre o assunto, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas:

“Explanarei hoje a questão da mediunidade dos animais, levantada e sustentada por um dos vossos mais fervorosos adeptos. Pretende ele, em virtude deste axioma: Quem pode o mais pode o menos, que podemos ‘mediunizar’ os pássaros e os outros animais e servir-nos deles nas nossas comunicações com a espécie humana. É o que chamais, em Filosofia, ou antes, em Lógica, pura e simplesmente um sofisma. ‘Podeis animar, diz ele, a matéria inerte, isto é, uma mesa, uma cadeira, um piano; a fortiori, deveis poder animar a matéria já animada e particularmente pássaros’. Pois bem! no estado normal do Espiritismo, não é assim, não pode ser assim.

“Primeiramente, entendamo-nos bem acerca dos fatos. Que é um médium? É o ser, é o indivíduo que serve de traço de união aos Espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens: Espíritos encarnados. Por conseguinte, sem médium, não há comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas, de qualquer natureza que seja.

“Há um princípio que, estou certo, todos os espíritas admitem, é que os semelhantes atuam com seus semelhantes e como seus semelhantes. Ora, quais são os semelhantes dos Espíritos senão os Espíritos, encarnados ou não? Será preciso que vo-lo repitamos incessantemente? Pois bem! repeti-lo-ei ainda: o vosso perispírito e o nosso procedem do mesmo meio, são de natureza idêntica, são, numa palavra, semelhantes. Possuem uma propriedade de assimilação mais ou menos desenvolvida, de magnetização mais ou menos vigorosa, que nos permite a nós, Espíritos desencarnados e encarnados, pormo-nos muito pronta e facilmente em comunicação. Enfim, o que é peculiar aos médiuns, o que é da essência mesma da individualidade deles, é uma afinidade especial e, ao mesmo tempo, uma força de expansão particular, que lhes suprimem toda refratariedade e estabelecem, entre eles e nós, uma espécie de corrente, uma espécie de fusão, que nos facilita as comunicações. É, em suma, essa refratariedade da matéria que se opõe ao desenvolvimento da mediunidade, na maior parte dos que não são médiuns.

“Os homens se mostram sempre propensos a tudo exagerar; uns, não falo aqui dos materialistas, negam alma aos animais, outros de boa mente lhes atribuem uma, igual, por assim dizer, à nossa. Por que hão de pretender deste modo confundir o perfectível com o imperfectível? Não, não, convencei-vos, o fogo que anima os irracionais, o sopro que os faz agir, mover e falar na linguagem que lhes é própria não tem, quanto ao presente, nenhuma aptidão para se mesclar, unir, fundir com o sopro divino, a alma etérea, o Espírito, em uma palavra, que anima o ser essencialmente perfectível: o homem, o rei da Criação. Ora, não é essa condição fundamental de perfectibilidade o que constitui a superioridade da espécie humana sobre as outras espécies terrestres? Reconhecei, então, que não se pode assimilar ao homem, que só ele é perfectível em si mesmo e nas suas obras, nenhum indivíduo das outras raças que vivem na Terra.

“O cão, que, pela sua inteligência superior entre os animais, se tornou o amigo e o comensal do homem, será perfectível por si mesmo, por sua iniciativa pessoal? Ninguém ousaria afirmá-lo, porquanto o cão não faz progredir o cão. O que, dentre eles, se mostre mais bem-educado, sempre o foi pelo seu dono. Desde que o mundo é mundo, a lontra sempre construiu sua choça em cima d’água, seguindo as mesmas proporções e uma regra invariável; os rouxinóis e as andorinhas jamais construíram os respectivos ninhos senão do mesmo modo que seus pais o fizeram. Um ninho de pardais de antes do dilúvio, como um ninho de pardais dos tempos modernos, é sempre um ninho de pardais, edificado nas mesmas condições e com o mesmo sistema de entrelaçamento das palhinhas e dos fragmentos apanhados na primavera, na época dos amores. As abelhas e formigas, que formam pequeninas repúblicas bem administradas, jamais mudaram seus hábitos de abastecimento, sua maneira de proceder, seus costumes, suas produções. A aranha, finalmente, tece a sua teia sempre do mesmo modo.

“Por outro lado, se procurardes as cabanas de folhagens e as tendas das primeiras idades do mundo, encontrareis, em lugar de umas e outras, os palácios e os castelos da civilização moderna. Às vestes de peles brutas sucederam os tecidos de ouro e seda. Enfim, a cada passo, achais a prova da marcha incessante da humanidade pela senda do progresso.

“Desse progredir constante, invencível, irrecusável, do Espírito humano e desse estacionamento indefinido das outras espécies animais, haveis de concluir comigo que, se é certo que existem princípios comuns a tudo o que vive e se move na Terra: o sopro e a matéria, não menos certo é que somente vós, Espíritos encarnados, estais submetidos a inevitável lei do progresso, que vos impele fatalmente para diante e sempre para diante. Deus colocou os animais ao vosso lado como auxiliares, para vos alimentarem, para vos vestirem, para vos secundarem. Deu-lhes uma certa dose de inteligência, porque, para vos ajudarem, precisavam compreender, porém lhes outorgou inteligência apenas proporcionada aos serviços que são chamados a prestar. Mas, em sua sabedoria, não quis que estivessem sujeitos à mesma lei do progresso. Tais como foram criados se conservaram e se conservarão até a extinção de suas raças.

“Dizem: os Espíritos ‘mediunizam’ a matéria inerte e fazem que se movam cadeiras, mesas, pianos. Fazem que se movam, sim, ‘mediunizam’, não! porquanto, mais uma vez o digo, sem médium, nenhum desses fenômenos pode produzir-se. Que há de extraordinário em que, com o auxílio de um ou de muitos médiuns, façamos se mova a matéria inerte, passiva, que, precisamente em virtude da sua passividade, da sua inércia, é apropriada a executar os movimentos e as impulsões que lhe queiramos imprimir? Para isso, precisamos de médiuns, é positivo, mas não é necessário que o médium esteja presente, ou seja consciente, pois que podemos atuar com os elementos que ele nos fornece, a seu mau grado e ausente, sobretudo para produzir os fatos de tangibilidade e o de transportes. O nosso envoltório fluídico, mais imponderável e mais sutil do que o mais sutil e o mais imponderável dos vossos gases, com uma propriedade de expansão e de penetrabilidade inapreciável para os vossos sentidos grosseiros e quase inexplicável para vós, unindo-se, casando-se, combinando-se com o envoltório fluídico, porém animalizado, do médium, nos permite imprimir movimento a móveis quaisquer e até quebrá-los em aposentos desabitados.

“É certo que os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o terror súbito que eles denotam, sem que lhe percebais a causa, é determinado pela visão de um ou de muitos Espíritos, mal-intencionados com relação aos indivíduos presentes ou com relação aos donos dos animais. Ainda com mais frequência vedes cavalos que se negam a avançar ou a recuar, ou que empinam diante de um obstáculo imaginário. Pois bem! tende como certo que o obstáculo imaginário é quase sempre um Espírito ou um grupo de Espíritos que se comprazem em impedi-los de mover-se. Lembrai-vos da mula de Balaão que, vendo um anjo diante de si e temendo-lhe a espada flamejante, se obstinava em não dar um passo. É que, antes de se manifestar visivelmente a Balaão, o anjo quisera tornar-se visível somente para o animal. Mas, repito, não mediunizamos diretamente nem os animais, nem a matéria inerte. É-nos sempre necessário o concurso consciente ou inconsciente de um médium humano, porque precisamos da união de fluidos similares, o que não achamos nem nos animais nem na matéria bruta.

“O Sr. T..., diz-se, magnetizou o seu cão. A que resultado chegou? Matou-o, porquanto o infeliz animal morreu, depois de haver caído numa espécie de atonia, de langor, consequentes à sua magnetização. Com efeito, saturando-o de um fluido haurido numa essência superior à essência especial da sua natureza de cão, ele o esmagou, agindo sobre o animal à semelhança do raio, ainda que mais lentamente. Assim, pois, como não há assimilação possível entre o nosso perispírito e o envoltório fluídico dos animais propriamente ditos, aniquilá-los-íamos instantaneamente, se os medianizássemos.

“Isto posto, reconheço perfeitamente que há nos animais, aptidões diversas; que certos sentimentos, certas paixões, idênticas às paixões e aos sentimentos humanos, se desenvolvem neles; que são sensíveis e reconhecidos, vingativos e odientos, conforme se procede bem ou mal com eles. É que Deus, que nada fez incompleto, deu aos animais, companheiros ou servidores do homem, qualidades de sociabilidade, que faltam inteiramente aos animais selvagens, habitantes das solidões. Mas daí a poderem servir de intermediários para a transmissão do pensamento dos Espíritos, há um abismo: a diferença das naturezas.

“Sabeis que tomamos ao cérebro do médium os elementos necessários a dar ao nosso pensamento uma forma que vos seja sensível e apreensível; é com o auxílio dos materiais que possui, que o médium traduz o nosso pensamento em linguagem vulgar. Ora bem! que elementos encontraríamos no cérebro de um animal? Tem ele ali palavras, números, letras, sinais quaisquer, semelhantes aos que existem no homem, mesmo o menos inteligente? Entretanto, direis, os animais compreendem o pensamento do homem, adivinham-no até. Sim, os animais educados compreendem certos pensamentos, mas já os vistes alguma vez reproduzi-los? Não. Deveis então concluir que os animais não nos podem servir de intérpretes.

“Resumindo: os fatos mediúnicos não podem dar-se sem o concurso consciente ou inconsciente dos médiuns; e somente entre os encarnados, Espíritos como nós, podemos encontrar os que nos sirvam de médiuns. Quanto a educar cães, pássaros, ou outros animais, para fazerem tais ou tais exercícios, é trabalho vosso, e não nosso”.

Erasto

Nota. Na Revista Espírita de setembro de 1861, encontra-se, minudenciado, um processo empregado pelos educadores de pássaros sábios, com o fim de fazê-los tirar de um maço de cartas as que se queiram.